As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley
Este livro foi escrito nos anos 80 e já é considerado um clássico!
Em As Brumas de Avalon, as lendas arturianas são retratadas do ponto de vista das mulheres que fazem parte da história do Rei Arthur. Morgana é meio-irmã de Arthur e protagonista da trama, aliás, ela é a minha personagem preferida e tem pontos importantes da história narrados por ela que são emocionantes. A autora sabe envolver o leitor nas emoções das personagens de maneira profunda e arrebatadora.
Religião é muito discutida na trama, de um lado temos Morgana representando a Antiga Religião da Grande Deusa lutando para manter vivas as tradições e costumes de Avalon - a Ilha sagrada das sacerdotisas e dos druidas - e do outro temos Gwenhwyfar - a esposa de Arthur, católica fervorosa que acredita piamente que deve eliminar os costumes da Velha Religião para impor o Cristianismo na Bretanha. Arthur fica no meio termo ciente de que cada um tem o direito de escolher a religião que quiser, mas nesta narrativa o Rei Arthur não é forte e imponente como esperamos dele
( esse é o único defeito da obra, na minha humilde opinião) apesar de ser um bom governante e político - facetas diferentes de Arthur que não vemos muito em outras obras, afinal, Arthur é sempre retratado como cavaleiro e rei, mas pouco explorado como político - o governo de Arthur é bem apresentado na história ressaltando a importância dele como grande rei.
De acordo com Viviane, a Dama do Lago, tia e mentora de Morgana, personagem riquíssima que tem influência realmente significativa para a história, Arthur deveria ser o rei que daria espaço para a coexistência pacífica das duas religiões, por isso, luta com todas as suas forças para ajudá-lo a subir ao trono. O maior temor de Viviane é que Avalon desapareça do mundo dos homens em meio as brumas o que não deixa de ser uma metáfora para a Antiga Religião que "desapareceu" após o domínio do Cristianismo, ou talvez só tenha se escondido nas brumas.
Além de Viviane, temos Igraine, mãe de Arthur e Morgana. No começo da narrativa ficamos com Igraine e todas as dificuldades, medos e abusos que ela sofreu. Todo o sofrimento de Igraine é o retrato de uma mulher da época que é tirada de seu lar, no caso, Avalon onde as mulheres eram vistas como a representação da Deusa, e é obrigada a se casar com um lord cristão, que vê as mulheres como culpadas pelo pecado. Você simpatiza com Igraine logo no começo e passa a torcer por ela.
Morgause - irmã de Igraine e Viviane - é também uma personagem forte e intrigante, de caráter duvidoso às vezes, mas é muito inteligente e manipuladora, ela surpreende em alguns pontos da narrativa e é totalmente desprendida dos conceitos de religião, apesar de ter nascido em Avalon, Morgause não se considera seguidora dos velhos costumes e muito menos católica, ela apenas faz o que julga necessário para alcançar seus objetivos.
O livro tem muitos personagens importantes que todos conhecemos das lendas arturianas como o Merlim, Mordred, Lancelote e os demais cavaleiros da Távola Redonda, mas nesta história o foco é das mulheres e a autora mergulha profundamente nos sentimentos e pensamentos de cada uma delas envolvendo o leitor na época e nas situações da trama.
O contexto histórico em que a narrativa foi inserida é muito bem apresentado, vemos uma Bretanha dividida em pequenos reinos que após a queda do Império Romano começa a sofrer invasões dos povos saxões e é Arthur que tem a missão de proteger e unificar o país como grande rei. Além disso, a autora mistura fantasia e realidade compondo uma grande história.
Marion Zimmer Bradley compreende profundamente os mistérios da Antiga Religião e sabe representá-los magnificamente em sua obra prima, confesso que fiquei surpresa com tamanho respeito e compreensão em relação a Deusa que ainda sobrevive nos dias de hoje reassumindo seus antigos ritos e mistérios.
O Cristianismo também é retratado com muito respeito e carinho, o que vemos de crítica aqui é apenas a forma como os sacerdotes e fiéis fanáticos podem prejudicar uma crença, transformando-a em algo obrigatório, usando o medo e a culpa para enredar as pessoas. Isso é bem ilustrado quando estamos acompanhando Gwenhwyfar, pois sempre que algo de ruim acontece, ela pensa que está sendo punida por seus pecados e que Deus só vai perdoá-la se ela fizer da Bretanha um reino totalmente cristão. A personagem não tem culpa de pensar assim pois foi criada num convento onde aprendeu essas crenças, diferentemente de Morgana que foi criada em Avalon onde não se prega a culpa ou o pecado, porém, em várias passagens do livro, Morgana pensou estar sendo punida pela Deusa; acredito que nesses momentos, a autora quer mostrar o lado humano de seus personagens, afinal, quem nunca se questionou sobre sua fé ou se está pagando por algum erro? Ou mesmo a velha pergunta: "será que o universo está conspirando contra mim?"
As Brumas de Avalon é sem sombra de dúvida um livro forte, marcante e até polêmico, tem uma narrativa envolvente num contexto histórico perfeitamente ambientado com a trajetória de mulheres inspiradoras que fazem a diferença na trama de diversas formas. A autora desenvolve as personagens com maestria e nos transporta para um passado distante cujas marcas ainda ressoam nos dias de hoje. É um livro que vai fazer o leitor refletir sobre seus temas. Há uma mistura perfeita de fantasia e realidade que poucos autores conseguem fazer com eficácia.
Aqui no Brasil foi publicado pela editora Imago em quatro volumes:
Em As Brumas de Avalon, as lendas arturianas são retratadas do ponto de vista das mulheres que fazem parte da história do Rei Arthur. Morgana é meio-irmã de Arthur e protagonista da trama, aliás, ela é a minha personagem preferida e tem pontos importantes da história narrados por ela que são emocionantes. A autora sabe envolver o leitor nas emoções das personagens de maneira profunda e arrebatadora.
Religião é muito discutida na trama, de um lado temos Morgana representando a Antiga Religião da Grande Deusa lutando para manter vivas as tradições e costumes de Avalon - a Ilha sagrada das sacerdotisas e dos druidas - e do outro temos Gwenhwyfar - a esposa de Arthur, católica fervorosa que acredita piamente que deve eliminar os costumes da Velha Religião para impor o Cristianismo na Bretanha. Arthur fica no meio termo ciente de que cada um tem o direito de escolher a religião que quiser, mas nesta narrativa o Rei Arthur não é forte e imponente como esperamos dele
( esse é o único defeito da obra, na minha humilde opinião) apesar de ser um bom governante e político - facetas diferentes de Arthur que não vemos muito em outras obras, afinal, Arthur é sempre retratado como cavaleiro e rei, mas pouco explorado como político - o governo de Arthur é bem apresentado na história ressaltando a importância dele como grande rei.
De acordo com Viviane, a Dama do Lago, tia e mentora de Morgana, personagem riquíssima que tem influência realmente significativa para a história, Arthur deveria ser o rei que daria espaço para a coexistência pacífica das duas religiões, por isso, luta com todas as suas forças para ajudá-lo a subir ao trono. O maior temor de Viviane é que Avalon desapareça do mundo dos homens em meio as brumas o que não deixa de ser uma metáfora para a Antiga Religião que "desapareceu" após o domínio do Cristianismo, ou talvez só tenha se escondido nas brumas.
Além de Viviane, temos Igraine, mãe de Arthur e Morgana. No começo da narrativa ficamos com Igraine e todas as dificuldades, medos e abusos que ela sofreu. Todo o sofrimento de Igraine é o retrato de uma mulher da época que é tirada de seu lar, no caso, Avalon onde as mulheres eram vistas como a representação da Deusa, e é obrigada a se casar com um lord cristão, que vê as mulheres como culpadas pelo pecado. Você simpatiza com Igraine logo no começo e passa a torcer por ela.
Morgause - irmã de Igraine e Viviane - é também uma personagem forte e intrigante, de caráter duvidoso às vezes, mas é muito inteligente e manipuladora, ela surpreende em alguns pontos da narrativa e é totalmente desprendida dos conceitos de religião, apesar de ter nascido em Avalon, Morgause não se considera seguidora dos velhos costumes e muito menos católica, ela apenas faz o que julga necessário para alcançar seus objetivos.
O livro tem muitos personagens importantes que todos conhecemos das lendas arturianas como o Merlim, Mordred, Lancelote e os demais cavaleiros da Távola Redonda, mas nesta história o foco é das mulheres e a autora mergulha profundamente nos sentimentos e pensamentos de cada uma delas envolvendo o leitor na época e nas situações da trama.
O contexto histórico em que a narrativa foi inserida é muito bem apresentado, vemos uma Bretanha dividida em pequenos reinos que após a queda do Império Romano começa a sofrer invasões dos povos saxões e é Arthur que tem a missão de proteger e unificar o país como grande rei. Além disso, a autora mistura fantasia e realidade compondo uma grande história.
Marion Zimmer Bradley compreende profundamente os mistérios da Antiga Religião e sabe representá-los magnificamente em sua obra prima, confesso que fiquei surpresa com tamanho respeito e compreensão em relação a Deusa que ainda sobrevive nos dias de hoje reassumindo seus antigos ritos e mistérios.
O Cristianismo também é retratado com muito respeito e carinho, o que vemos de crítica aqui é apenas a forma como os sacerdotes e fiéis fanáticos podem prejudicar uma crença, transformando-a em algo obrigatório, usando o medo e a culpa para enredar as pessoas. Isso é bem ilustrado quando estamos acompanhando Gwenhwyfar, pois sempre que algo de ruim acontece, ela pensa que está sendo punida por seus pecados e que Deus só vai perdoá-la se ela fizer da Bretanha um reino totalmente cristão. A personagem não tem culpa de pensar assim pois foi criada num convento onde aprendeu essas crenças, diferentemente de Morgana que foi criada em Avalon onde não se prega a culpa ou o pecado, porém, em várias passagens do livro, Morgana pensou estar sendo punida pela Deusa; acredito que nesses momentos, a autora quer mostrar o lado humano de seus personagens, afinal, quem nunca se questionou sobre sua fé ou se está pagando por algum erro? Ou mesmo a velha pergunta: "será que o universo está conspirando contra mim?"
As Brumas de Avalon é sem sombra de dúvida um livro forte, marcante e até polêmico, tem uma narrativa envolvente num contexto histórico perfeitamente ambientado com a trajetória de mulheres inspiradoras que fazem a diferença na trama de diversas formas. A autora desenvolve as personagens com maestria e nos transporta para um passado distante cujas marcas ainda ressoam nos dias de hoje. É um livro que vai fazer o leitor refletir sobre seus temas. Há uma mistura perfeita de fantasia e realidade que poucos autores conseguem fazer com eficácia.
Aqui no Brasil foi publicado pela editora Imago em quatro volumes:
Recentemente a editora Planeta fez uma edição muito bonita em capa dura e volume único:
Um filme baseado em As Brumas de Avalon foi produzido para a televisão no ano de 2001, mas infelizmente, o filme não captou a essência da obra deixando muito a desejar.
Marion Zimmer Bradley tem muitas outras obras, incluindo O Círculo de Avalon que é um conjunto de livros que narra a história de outras encarnações das personagens das Brumas, mas, só quem estiver muito atento vai descobrir quem é quem pois a autora não especifica, além disso, os livros são independentes uns dos outros libertando o leitor da necessidade de ler um para entender o outro.
Eu ainda não li esses outros livros mas tenho muita vontade e curiosidade de lê-los.
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